Redes Neurais Líquidas

Redes Neurais Líquidas: A Nova Fronteira da Inteligência Artificial Adaptativa e o Paradigma Pós-Transformadores

Resumo

O domínio das arquiteturas baseadas em Transformers, consolidado pela ascensão de modelos de linguagem como a série GPT, enfrenta atualmente desafios críticos de escalabilidade, consumo energético e rigidez em ambientes dinâmicos. Este artigo analisa exaustivamente as Redes Neurais Líquidas (Liquid Neural Networks – LNNs) como o sucessor tecnológico capaz de superar o “muro de memória” e a complexidade quadrática do mecanismo de auto-atenção. Investigamos as origens bio-inspiradas destas redes no conectoma do C. elegans, sua formulação matemática através de equações diferenciais ordinárias (ODEs) de tempo contínuo e a evolução para modelos de fundação líquidos (LFMs). Através de uma análise comparativa de benchmarks como MMLU e GSM8K, demonstramos que as LNNs atingem desempenho de nível de fronteira com uma fração dos parâmetros e recursos computacionais exigidos pelos modelos tradicionais. Aplicações em projetos da NASA, IBM Research e Google DeepMind em áreas como previsão climática e robótica autônoma confirmam a robustez das LNNs em lidar com dados ruidosos e generalização fora da distribuição. Concluímos que a transição para sistemas neurais dinâmicos representa uma mudança fundamental na arquitetura da inteligência artificial, movendo-a em direção a uma inteligência mais eficiente, causal e verdadeiramente adaptativa.

Palavras-chave: Redes Neurais Líquidas, Liquid Foundation Models, Transformers, Deep Learning, Inteligência Artificial Adaptativa, Edge AI, Eficiência Computacional.

1. Introdução

A trajetória da Inteligência Artificial (IA) moderna pode ser dividida entre a era pré-2017 e a hegemonia pós-“Attention is All You Need”. O mecanismo de auto-atenção (Self-Attention) dos Transformers permitiu o processamento paralelo de sequências massivas, resolvendo as limitações de memória de curto prazo das Redes Neurais Recorrentes (RNNs) tradicionais¹. No entanto, à medida que avançamos para a implementação de modelos com trilhões de parâmetros, as ineficiências estruturais do Transformer tornaram-se o principal gargalo para a próxima fase da IA². A complexidade computacional da atenção cresce de forma quadrática em relação ao comprimento da sequência, o que impõe restrições severas à janela de contexto e exige infraestruturas de hardware massivas, muitas vezes inacessíveis para aplicações de borda (edge computing) ou dispositivos com recursos limitados³.

Neste cenário de saturação tecnológica, as Redes Neurais Líquidas (LNNs) emergem como um salto qualitativo, e não apenas quantitativo⁴. Desenvolvidas por pesquisadores do MIT CSAIL, como Ramin Hasani e Daniela Rus, as LNNs representam uma convergência entre a biofísica neuronal e a teoria de sistemas dinâmicos⁵. Diferente dos Transformers, que processam informações em passos discretos e possuem pesos estáticos após o treinamento, as LNNs são redes de tempo contínuo que ajustam sua própria dinâmica interna em resposta à variabilidade dos dados de entrada⁶. Essa característica de “liquidez” permite que o modelo não apenas processe sequências, mas aprenda a estrutura causal das tarefas, ignorando ruídos irrelevantes e focando em padrões críticos para a tomada de decisão em tempo real⁷.

O presente relatório adota uma perspectiva de análise de sistemas complexos, avaliando como a mudança do paradigma de tempo discreto para tempo contínuo resolve problemas persistentes de generalização fora da distribuição (Out-of-Distribution – OOD)⁸. Como observa Maiquel Gomes, a inovação tecnológica deve estar intrinsecamente conectada ao impacto real e à eficiência operacional, transformando dados brutos em decisões inteligentes que otimizam processos e automatizam tarefas de forma sustentável⁹. As LNNs personificam essa visão ao oferecer uma alternativa compacta e interpretável aos modelos de “caixa-preta” que hoje dominam o mercado¹⁰.

Este documento está estruturado para fornecer uma visão holística das LNNs, abrangendo desde seus fundamentos teóricos até as aplicações mais recentes em missões da NASA e IBM¹¹. Analisaremos a evolução técnica das Liquid Time-Constant Networks (LTCs) para os Closed-form Continuous-time models (CfC), culminando na análise dos Liquid Foundation Models (LFMs) lançados pela Liquid AI em 2024¹².

2. Revisão da Literatura e Fundamentação Teórica

2.1. O Conectoma do C. elegans e a Inspiração Biofísica

A gênese das Redes Neurais Líquidas remonta ao estudo de sistemas nervosos biológicos simples, especificamente o nematódeo Caenorhabditis elegans. Com apenas 302 neurônios, este organismo demonstra comportamentos complexos de navegação, busca de alimento e resposta a estímulos externos que desafiam as capacidades de redes neurais artificiais com milhares de vezes mais parâmetros¹³. A pesquisa conduzida por Hasani e sua equipe focou no modelo de transmissão sináptica não linear, onde a resposta de um neurônio pós-sináptico não é apenas uma soma ponderada de sinais, mas uma função dinâmica dependente do tempo¹⁴.

Nas redes tradicionais, um neurônio artificial em um passo de tempo é representado por:

Aqui, é uma constante de tempo que regula a velocidade com que o sistema retorna ao equilíbrio, e é a entrada modulada por portas não lineares interligadas¹⁶. Essa formulação permite que a rede capture dependências temporais em múltiplas escalas, tornando-a ideal para lidar com dados amostrados de forma irregular ou sinais contínuos, como áudio e vídeo¹⁷.

2.2. Da Teoria à Prática: O Surgimento das LTCs e CfCs

O marco inicial foi o desenvolvimento das Liquid Time-Constant Networks (LTCs). Essas redes provaram ser aproximadores universais de trajetórias de sistemas dinâmicos, superando as RNNs, LSTMs e GRUs em tarefas de previsão de séries temporais ruidosas¹⁸. No entanto, as LTCs iniciais enfrentavam o desafio da carga computacional: resolver ODEs exige o uso de integradores numéricos (solvers), que são lentos e difíceis de escalar em hardware de GPU padrão¹⁹.

A superação deste obstáculo veio com a introdução das redes Closed-form Continuous-time (CfC). Ao derivar uma solução analítica aproximada para a dinâmica da ODE, os pesquisadores conseguiram eliminar a necessidade de solvers numéricos²⁰. O resultado foi um modelo que mantém todas as propriedades de adaptabilidade das LNNs, mas que pode ser treinado e executado com uma eficiência comparável às redes feed-forward tradicionais²¹. Testes em benchmarks de robótica mostraram que as CfCs podem ser até cinco ordens de magnitude mais rápidas que as LTCs em inferência, sem perda significativa de acurácia²².

2.3. Metodologia de Pesquisa Científica segundo Sampieri

Para garantir a validade e o rigor acadêmico deste estudo, fundamentamos nossa análise nos critérios de Metodologia de Pesquisa de Roberto Hernández Sampieri²³. Segundo Sampieri, o processo de pesquisa deve ser sistemático e empírico, visando tanto a produção de conhecimento teórico quanto a resolução de problemas práticos²⁴. Este relatório utiliza uma abordagem quantitativa-descritiva para analisar dados de desempenho de modelos e uma abordagem qualitativa para interpretar as implicações das mudanças arquiteturais na IA²⁵.

A coleta de dados baseou-se em meta-análise de publicações em veículos de alto impacto, como Nature, Science Robotics e conferências IEEE/ACM²⁶. O rigor científico exige que as comparações entre Transformers e LNNs considerem não apenas a precisão bruta (ex: MMLU), mas também a eficiência energética, a pegada de memória e a capacidade de generalização em cenários de “mundo real”²⁷.

3. Análise de Dados e Comparação de Desempenho

3.1. Eficiência de Parâmetros e Complexidade Arquitetural

Um dos dados mais impactantes na literatura de LNNs é a sua densidade de informação por parâmetro. Em uma tarefa clássica de navegação autônoma de drones (voo em direção ao alvo), um modelo convolucional padrão exige cerca de 100.000 neurônios para atingir estabilidade²⁸. Em contraste, uma Rede Neural Líquida treinada para a mesma tarefa obteve sucesso utilizando apenas 19 neurônios²⁹. Essa redução de quase 5.000 vezes na escala do modelo não apenas economiza energia, mas torna o sistema interpretável, permitindo que engenheiros visualizem exatamente como cada neurônio contribui para a decisão de voo³⁰.

Tabela 1: Comparação de Eficiência de Escala (Navegação Autônoma)

MétricaCNN TradicionalRNN / LSTMLNN (LTC/CfC)
Contagem de Neurônios~100.000~20.00019
Pegada de MemóriaAltaMédiaMínima
InterpretabilidadeCaixa-PretaBaixaAlta
AdaptabilidadeRe-treinamento necessárioLimitadaEm tempo real durante inferência
Hardware RequeridoGPU de alto desempenhoCPU / Mobile SoCMicrocontrolador (MCU)

*Fonte: Adaptado de Hasani et al., MIT CSAIL (2023)³¹.

3.2. Benchmarks de Modelos de Fundação (LFM vs. Transformer)

Com a fundação da Liquid AI, a tecnologia escalou para o domínio do processamento de linguagem natural (NLP). O lançamento dos Liquid Foundation Models (LFMs) desafiou a noção de que apenas Transformers podem dominar tarefas de raciocínio complexo³². O modelo LFM-1B, com apenas 1.3 bilhão de parâmetros, superou modelos baseados em Transformers de tamanho similar (como TinyLlama) e até mesmo modelos maiores em benchmarks críticos³³.

Tabela 2: Desempenho em Benchmarks de Linguagem e Raciocínio

ModeloParâmetrosMMLU (5-shot)ARC-C (25-shot)GSM8K (5-shot)IFEval
LFM-1B1.3B58.5554.9555.3470.21
TinyLlama1.1B25.6536.955.7632.40
LFM-3B3.1B60.1058.2060.5075.80
Phi-3.5-mini3.8B60.0053.0041.5078.10
Llama 3.23B45.4653.7531.6168.90

*Dados extraídos de relatórios técnicos da Liquid AI (2024) e benchmarks independentes da Stanford AI Index³⁴.

A análise da Tabela 2 revela que a arquitetura líquida não é apenas competitiva, mas superior em tarefas de raciocínio matemático (GSM8K) e compreensão científica (ARC-C), onde a causalidade temporal e a estrutura de dados contínua oferecem uma vantagem sobre a probabilidade estatística de tokens adjacentes utilizada pelos Transformers³⁵.

3.3. Janela de Contexto e Gerenciamento de Memória

A grande limitação do GPT-4 e modelos similares é o crescimento linear do cache KV conforme o contexto aumenta³⁶. Em sequências de 128k tokens, a memória consumida pelo cache pode exceder a capacidade de muitas GPUs de consumo³⁷. As LNNs utilizam uma abordagem de compressão dinâmica de estado que permite manter um contexto de 32k tokens de forma “efetiva” — o que significa que o modelo não perde informações no início da sequência conforme novas informações chegam³⁸.

No benchmark RULER, que mede a fidelidade do contexto em comprimentos estendidos, o LFM-3B manteve uma pontuação de 89.5% em 32k tokens, enquanto o Llama 3.2 3B caiu para 74.1% na mesma marca³⁹. Isso sugere que a “liquidez” dos parâmetros permite uma destilação mais inteligente da informação, retendo o que é causalmente relevante para o desfecho da tarefa⁴⁰.

4. Aplicações Práticas e Estudos de Caso

4.1. NASA e IBM Research: O Modelo Prithvi WxC

A aplicação de IAs em geociências e meteorologia exige o tratamento de dados físicos que são inerentemente contínuos⁴¹. Em 2024, a NASA e a IBM Research lançaram o Prithvi-weather-climate (Prithvi WxC), um modelo de fundação geoespacial de 2.3 bilhões de parâmetros⁴². Embora utilize componentes de Transformers para capturar dependências de longa distância, o Prithvi incorpora técnicas de modelagem dinâmica similares às LNNs para resolver o “gap de realidade” em simulações climáticas⁴³.

O modelo foi treinado no dataset MERRA-2 da NASA, abrangendo 40 anos de observações atmosféricas global⁴⁴. Em testes de previsão de eventos extremos, o Prithvi WxC conseguiu prever a trajetória do furacão Ida com um erro médio de apenas 63,9 km, superando modelos tradicionais de previsão numérica de tempo (NWP)⁴⁵. A relevância deste projeto para as LNNs reside na necessidade de modelos que capturem a causalidade da física atmosférica, algo que a natureza “rígida” dos Transformers convencionais muitas vezes falha em capturar devido à sensibilidade a ruídos nos dados observacionais⁴⁶.

4.2. Robótica e Controle: O Framework LA-MPC

A robótica de campo é talvez o terreno mais fértil para as LNNs⁴⁷. No estudo publicado na revista Electronics em 2025, pesquisadores introduziram o Liquid-Augmented Model Predictive Control (LA-MPC) para robôs quadrúpedes⁴⁸. O sistema integra uma camada de neurônios líquidos no loop de controle preditivo, permitindo que o robô aprenda perturbações latentes do terreno em tempo real⁴⁹.

Diferente do controle tradicional, que depende de modelos matemáticos precisos (e muitas vezes incompletos) do hardware, o LA-MPC ajusta dinamicamente a sua resposta ao identificar que o terreno está mais macio ou que há um atraso no atuador devido ao desgaste⁵⁰. Em simulações no ambiente MuJoCo, o robô equipado com LNN demonstrou uma estabilidade de marcha 34% superior em terrenos irregulares em comparação com controladores baseados em RL (Reinforcement Learning) puros⁵¹.

4.3. Biotecnologia e Saúde: Genômica e Diagnóstico

A capacidade de processar sequências extremamente longas sem perda de informação torna as LNNs ferramentas poderosas na genômica⁵². O processamento de fitas de DNA envolve bilhões de bases que contêm “instruções” complexas espalhadas por grandes distâncias⁵³. As LNNs estão sendo exploradas para identificar marcadores de doenças em fluxos contínuos de dados de biossensores em wearables, onde o baixo consumo de energia permite o monitoramento 24/7 sem drenar a bateria do dispositivo⁵⁴.

Como destacado no portal Maiquel Gomes, a IA deve ser um vetor de eficiência que “melhora a tomada de decisões e reduz erros”, e no campo da saúde, essa precisão é vital⁵⁵. O framework StayLTC, que utiliza arquiteturas de tempo constante para prever o tempo de permanência de pacientes em UTIs, superou LSTMs e Transformers em acurácia de predição, permitindo uma gestão de leitos hospitalares muito mais eficaz⁵⁶.

5. Metodologia de Implementação e Escalabilidade

5.1. O Desafio da Diagonalização e Paralelização

A principal crítica histórica às LNNs era a dificuldade de treiná-las em paralelo, uma vez que a dependência temporal das ODEs é inerentemente sequencial⁵⁷. Para resolver isso, novas variantes como o LrcSSM (Liquid-resistance Liquid-capacitance State-Space Models) foram introduzidas⁵⁸. Ao restringir a matriz Jacobiana do sistema para ser diagonal, os pesquisadores conseguiram utilizar algoritmos de varredura paralela (Parallel Scans), permitindo que as LNNs aproveitem o hardware de GPU de forma tão eficiente quanto os Transformers⁵⁹.

Esta técnica de diagonalização preserva as propriedades físicas da rede — como a estabilidade e a robustez ao ruído — enquanto permite o treinamento em datasets de trilhões de tokens⁶⁰. O LFM-40B, um modelo MoE (Mixture of Experts) da Liquid AI, utiliza essa estrutura para oferecer alta vazão (throughput) em data centers, competindo diretamente com o GPT-4o em velocidade de geração de tokens⁶¹.

5.2. Sustentabilidade e Green AI

O custo energético da IA tornou-se um tema central em fóruns globais⁶². Enquanto o treinamento de um modelo de fronteira pode custar centenas de milhões de dólares e consumir gigawatts-hora de eletricidade, as LNNs oferecem uma rota para a sustentabilidade⁶³. A eficiência de parâmetros mencionada na Tabela 1 traduz-se diretamente em menor pegada de carbono⁶⁴. De acordo com o Stanford AI Index 2025, a transição para arquiteturas líquidas e compactas pode reduzir o custo operacional de inferência em até 90% para aplicações de atendimento ao cliente e suporte técnico⁶⁵.

6. Discussão e Perspectivas Futuras

6.1. O Fim da “Frozen Weights Era”

Atualmente, vivemos na era dos pesos congelados: uma vez treinado, o cérebro da IA não muda⁶⁶. Se o mundo ao redor do modelo se altera, ele precisa de re-treinamento ou de técnicas externas como RAG (Retrieval-Augmented Generation) para se manter atualizado⁶⁷. As LNNs propõem um paradigma de aprendizado contínuo durante a inferência. Ao ajustar a constante de tempo de seus neurônios conforme os novos dados chegam, a rede demonstra uma forma primitiva, mas eficaz, de plasticidade sináptica⁶⁸.

Essa evolução transformará a IA de uma ferramenta de consulta estática em um agente autônomo que evolui com o usuário ou com a missão⁶⁹. Em 2026, esperamos que o conceito de “prompt engineering” seja substituído por “interaction engineering”, onde a qualidade do aprendizado contínuo do modelo será o principal diferencial competitivo⁷⁰.

6.2. SEO e Visibilidade Digital para 2026

Para profissionais e empresas que buscam ranqueamento e autoridade no tema, é essencial focar em termos que reflitam essa transição tecnológica. As palavras-chave para a próxima década incluem: “Post-Transformer Architectures”, “Causal AI”, “On-Device Foundation Models” e “Continuous-time Neural Dynamics”⁷¹. A autoridade digital, conforme os critérios E-E-A-T do Google, será construída por aqueles que demonstrarem experiência prática na migração de sistemas pesados baseados em nuvem para soluções líquidas e resilientes na borda⁷².

6.3. Limitações e Desafios Pendentes

Apesar do otimismo, as LNNs ainda enfrentam um ecossistema de software dominado pelo PyTorch e pelo CUDA, que foram otimizados durante uma década para operações de tensores estáticos⁷³. A criação de novos kernels e compiladores específicos para dinâmica de tempo contínuo é necessária para desbloquear todo o potencial do hardware existente⁷⁴. Além disso, a teoria matemática por trás das LNNs é mais complexa que a álgebra linear dos Transformers, exigindo uma nova geração de cientistas de dados com sólida base em física e cálculo diferencial⁷⁵.

7. Conclusão

As Redes Neurais Líquidas representam o próximo salto evolutivo da inteligência artificial, posicionando-se não como uma melhoria incremental, mas como uma ruptura necessária com o paradigma estático dos Transformers. Ao abraçar a continuidade do tempo e a causalidade da biologia, as LNNs resolvem os dilemas de eficiência e adaptabilidade que hoje impedem a IA de ser verdadeiramente integrada em sistemas autônomos de missão crítica.

Neste relatório, demonstramos que a eficiência de parâmetros das LNNs permite a execução de modelos de alta inteligência em hardware de baixo custo, democratizando o acesso à IA e promovendo a sustentabilidade ambiental. Projetos de vanguarda da NASA, IBM e MIT CSAIL confirmam que a robustez destas redes é a chave para navegar na incerteza do mundo real, desde a previsão de furacões até a navegação de drones em florestas densas.

Como sugerido pela visão de Maiquel Gomes, a tecnologia deve ser um meio para conectar aprendizado e propósito real⁷⁶. As Redes Neurais Líquidas cumprem esse papel ao transformar a IA em um sistema dinâmico, interpretável e resiliente, capaz de evoluir junto com os desafios da sociedade global. O futuro da inteligência artificial é, sem dúvida, líquido.

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